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COTIDIANO

Coisas normais...

Guarde suas emoções para o que vale mais a pena

Vejo um jogo de futebol na TV. Perto da área, um jogador chuta em gol e “isola” a bola, ela passa longe das traves. Fico pensando: como um jogador faz isso e nada acontece? Se fosse um jogador de basquete que arremessasse regularmente bolas longe da cesta, não duraria muito no time. Pensei então que isso é aceito porque é considerado “normal” no contexto do futebol, passa a ser uma possibilidade esperada e parte da coisa.

Descobri então que há vantagens em considerar certas situações do dia a dia como “normais”: ajuda a evitar estresse e a lidar com elas de uma forma mais efetiva. Segue a minha lista de coisas que considero normais, e portanto esperáveis, e portanto sujeitas a ações apropriadas para lidar com elas. Se você concordar, espero que lhe inspirem a ajustar suas expectativas, atitudes e ações e assim ter uma vida um pouco mais “normal”.

- É normal que aparelhos e máquinas requeiram consertos de vez em quando, em particular quando não passam por manutenções preventivas. Indicação de ação: ler o manual e cuidar deles.

- É normal que o cartucho da impressora acabe um dia, e também é perfeitamente normal que ele acabe enquanto está sendo usado. Indicação de ação: ter cartuchos de reserva.

- É normal encontrar no trânsito motoristas bons, médios e “barbeiros”. Cada um tem seu grau de experiência. Além disso, os estados emocionais dos motoristas podem variar, e pode ter alguém que acabou de ter um trauma e tem que dirigir, um tem pressa, outro canaliza as emoções para o acelerador ou para pessoas que não têm nada a ver com o que ele está vivenciando. Indicações de ação: direção defensiva e cooperativa. Compreensão.

- É normal encarar algo novo, como um novo eletrodoméstico ou um novo programa de computador, e levar um tempo para produzir resultados. Isso se deve basicamente à falta de informação, isto é, ao fato de não sabermos onde estão as coisas e para que servem, e desconhecermos os padrões de funcionamento do referido, como por exemplo um micro-ondas. Raciocínio análogo vale para uma cidade nova ou um site novo. Indicação de ação: buscar informações e experiências, sendo estas cuidadosas no início. Não há inteligência que sobreviva à falta de informações.

- É normal ter dificuldades no início do aprendizado de uma nova habilidade, seja assobiar, fazer malabarismo, programar computadores e outras. Leva algum tempo e requer prática ajustar nossa atenção, pensamentos e movimentos em uma seqüência que funcione. Leva mais tempo e requer mais experiência desenvolver aquela fluidez, agilidade e riqueza de opções de uma habilidade madura. Indicação de ação: persistir na prática, ajustando estratégias se for preciso e aprendendo com os erros, sabendo que logo o grau de habilitação vai subir e tudo vai ficar mais fácil. Lembrar-se de vez em quando de por que está buscando aquilo.

- É normal que, se temos muitas coisas a fazer, que esqueçamos algumas, em particular se não temos uma habilidade de pensamento para organizá-las. Indicação de ação: registrar em algum lugar ou treinar uma estratégia de memorização apropriada.

- É normal que, se nos dedicarmos a algo com pressa e afobação, vamos depois de algum tempo aumentar o grau de estresse e ficar com a cabeça quente. Indicação de ação: não definir um limite de prazo ao se dedicar (mesmo que ele exista!).

- É normal que, após conviver muito tempo com o mesmo tema, como um problema de trabalho, vamos ficar ligados naquilo e com dificuldades de nos concentrar em outra coisa. Indicações de ação: fazer algo para desligar ou ligar-se em algo interessante para fazer uma transição mais rápida. Em estudos, fazer pausas estratégicas.

- É normal, se absorvermos muito conteúdo em pouco tempo, de uma forma desorganizada e não integrada, ficarmos confusos. Indicações de ação: Usar mapas mentais. Fazer pausas de vez em quando para relaxar e permitir uma integração do novo. Dormir uma boa noite de sono para permitir a “digestão”. Usar métodos estruturados e organizados de estudo.

- É normal que, se alimentarmos e nutrirmos nossa percepção com coisas como violência e suspense, vamos ficar com aquilo na mente durante algum tempo e sentindo "ecos emocionais" (também já expresso como “lixo entra, lixo sai”). É normal que, se ficarmos muito tempo em contato com coisas racionais, fiquemos um pouco distantes da dimensão emocional/sentimental. Também é normal que, se nos nutrirmos de coisas com sentimentos, vamos fortalecer essa dimensão em nós. Indicações de ação: filtrar os estímulos de acordo com o que se quer. Não “comprar” (observar apenas) percepções e pensamentos que não tenham a ver com o que se quer. Desligar a TV. Ter atividades que envolvam também emoções e sentimentos.

- É absolutamente normal sentir medo, em algum grau, em situações novas. Primeiro, nossa mente fica meio sem limites e explora possibilidades por vezes bastantes improváveis. Segundo, é bem possível que ocorram situações para as quais não temos uma resposta pronta, afinal, é nova. Indicações de ação: Lembre-se de situações novas em que você se saiu bem e outras em que você improvisou. Ouse imaginar que vai ser capaz de lidar com o que surgir, embora com um tempo de resposta possivelmente mais longo que o padrão do passado. Use as imaginações medrosas para lhe inspirar ações de prevenção e antecipação.

- É normal que, em um relacionamento novo, possamos fazer coisas que incomodem ou firam, afinal, pouco conhecemos do outro e de suas sensibilidades, e é pior ainda quando o outro não nos informa nem dá feedback. Indicações de ação: encare a resposta do outro como uma informação útil. Por exemplo, se você brincou e o outro se sentiu xingado, você já descobriu como xingá-lo.

No fim das contas, é normal errarmos de vez em quando, afinal ninguém é perfeito (pelo menos não todo o tempo). Então, pode ser melhor fazer como na dança: se é um ensaio, o erro mostra o ponto de melhoria; se é apresentação, pega logo o passo que pode ser que quem esteja vendo pense que faz parte do show!

Virgílio Vasconcelos Vilela

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