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ENSINO

Como elaborar atividades - e com mais prazer

Um roteiro para o professor gerar inspiração

Uma das coisas que um professor certamente precisa ter com regularidade é a inspiração para gerar atividades, seja para as aulas, seja para as avaliações. E, para estas, não convém que ele repita atividades, porque os alunos muitas vezes já as conhecem. Mas inspiração é algo que nem sempre vem; o que fazer nos momentos de "branco"? Esta matéria descreve uma estrutura de pensamento para gerar essas inspirações, ou seja, ao invés de esperar a fruta cair, sacudir a árvore. Adicionalmente, e baseados nos resultados de um curso ministrado on-line, também indicamos como gerar atividades que proporcionem mais prazer a quem as faz.

Nosso roteiro enfoca dois componentes de uma atividade didática: estrutura e tema. A estrutura consiste dos tipos de atividades, em geral relacionadas às habilidades e conhecimentos da disciplina. Se for programação de computadores, por exemplo, elaborar um programa é uma delas, assim como achar erros ou completar um programa. No caso de Biologia, pode ser apresentar uma situação cotidiana e solicitar aplicação de conceitos aprendidos. Se Português, tema análise sintática, pode ser fazer uma análise completa, reconhecer inconsistências, completar, criar exemplos. Você, que conhece bem sua disciplina, é o melhor para fazer isso.

Um outro aspecto da elaboração de atividades é encontrar temas, que são o conteúdo das estruturas, assim como os móveis são o conteúdo da estrutura chamada casa. E aí há muitas opções. Grandes áreas, como comércio, publicidade, lazer, publicações, televisão. Temas cotidianos, como clube, esportes, notícias, polícia, a escola, acontecimentos recentes. O grau de generalidade/especificidade pode ser bem variado: o tema pode ser todo o sistema solar ou simplesmente algo que lhe aconteceu outro dia.

A idéia essencial aqui é, se a inspiração não estiver fluindo, segmentá-la e fazer uma coisa de cada vez: ora definir estrutura, ora buscar temas. Buscar temas sem o compromisso de encaixá-los em estruturas de atividades é certamente mais simples, você vai achar milhares. O contrário também vale: buscar apenas estruturas de atividades também é mais fácil. Vale ainda a metáfora da casa: você pode construi-la e depois mobiliá-la, pode bolar a sala dos seus sonhos e completar o projeto a partir dela ou pode ser ainda que a inspiração venha completa.

Uma vez tendo estruturas e temas, você os combina em pares e vê o que acontece. O que vai acontecer é que a mesma estrutura de atividade pode combinar com vários temas, e um mesmo tema pode servir a várias estruturas. Algumas possibilidades não vão ser ou parecer  viáveis, mas a essa altura você já terá tantas possibilidades que não vai se apegar a nenhuma.

Introduzindo prazer

Você deve estar se perguntando o que a Julia Roberts está fazendo ali em cima. Ela está ilustrando um princípio para acrescentar um pouco de prazer às atividades. Antes, vamos lembrar um pouco de como sentimos prazer.

Temos pelo menos três tipos de fontes de prazer: o prazer durante, o prazer antecipado e o prazer lembrado. Tomar um sorvete e dar um beijo proporcionam prazer quando estão acontecendo. Já o prazer antecipado é quando temos uma visão de algo que sabemos que vai acontecer, como entrar de férias, e já vamos antegozando os prazeres, às vezes com um pouco de ansiedade. Também podemos sentir prazer quando nos lembramos de um prazer sentido; lembre-se por exemplo de um dos maiores prazeres que você já sentiu na vida. Esses três tipos estão relacionados: a gente antecipa que o prazer vai se tornar presente em algum momento, e re-sentimos um prazer quando nossas lembranças são vívidas e realistas. Em síntese, o prazer é decorrente de uma ação perceptiva: percebemos como se estivesse acontecendo agora, seja uma lembrança, seja o presente, seja algo imaginado.

Antecipar prazer é um dos fatores essenciais da motivação: quem consegue se decidir a fazer algo sem achar que vai sentir qualquer espécie de prazer, todo o tempo? Mas há muitos alunos que não sentem prazer quando estão em classe, o que faz inclusive com que antecipem desprazer (o que, ironicamente, é uma forma de provocá-lo).

O professor pode intervir nesse processo dando aos alunos atividades que lhes proporcionem prazer. Como fazer isso? A princípio, não convém mexer na estrutura das atividades, são coisas que os alunos devem praticar para aprender e fixar. A flexibilidade está nos temas das atividades, escolhendo aqueles que os alunos apreciem, porque lhes ativa lembranças de coisas que gostam. Se eles gostam de cinema, esse é um tema candidato. Se gostam do Harry Potter, da Julia Roberts ou do Brad Pitt, e pode-se encaixar esses temas em uma atividade, então assim será. Utilizei essa abordagem recentemente em um curso on-line de mapas mentais, usando atores, cantores e bichos simpáticos (como Julia e o sea otter, foto acima) como temas de atividades. Tenho certeza de que isso foi um grande fator de prazer para os alunos, pelos feedbacks espontâneos fornecidos, e acredito que também você deve achar que esta matéria ficou melhor com as fotos (mesmo não sendo elas tão relevantes). A propósito, a ambiguidade do título desta matéria é proposital - o prazer é para quem concebe e para quem executa.

Apliquei esse princípio até para os exemplos que coloco nos modelos de mapas mentais que elaboro para o site. Aliás, os exemplos também são oportunidades - para melhor ou para pior. O que a gente fala tem que ser compreendido, e parte de compreender é imaginar. Note a diferença entre a compreensão das duas frases abaixo (inspiradas em um site de Potuguês):

"Os aviões despejaram a morte durante todo o dia."

"Os aviões despejam a vida durante todo o dia."

O que vamos preferir, imaginar aviões jogando bombas ou jogando mantimentos, pessoas despedaçadas e sangue jorrando ou pessoas felizes por ter o que comer? Imagine como deve ser o espaço mental do Stephen King, pelo menos quando escreve. E imagine também a minha reação ao constatar no livro de Português do meu filho um padrão predominante de frases com sugestões negativas, distribuídas por cada capítulo. Espero que não tenha sido proposital.

Reagimos ao que imaginamos, então, se é assim, é melhor imaginar coisas às quais reagimos favoravelmente, a menos que haja algum bom motivo para impressionar negativamente, como por exemplo ao falar de drogas ou do futuro do planeta se não cuidarmos melhor do meio ambiente.

Essência

O que sugerimos, em essência, é simples:

- Defina em separado estruturas e temas de atividades, antes de combiná-los.

- O conteúdo das atividades faz diferença; use temas e exemplos que proporcionem prazer a quem faz as atividades.

Uma dica final: se você estiver com mais possibilidades do que consegue administrar em sua cabeça, experimente usar mapas mentais para controlá-las.

Virgílio Vasconcelos Vilela

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